Se você possui um Mac ou pretende adquirir um mas não quer perder toda a potência que o Linux tem a oferecer, veja como é possível de forma simples, fácil, rápida e livre instalá-lo nas máquinas da maçã.
Desde março de 2007 sou usuário da plataforma Mac. Por muito tempo os preços proibitivos praticados no Brasil me impediram de adquirir este tipo de equipamento considerado por muitos “the state of the art” em design e funcionamento. Confesso que pensava ser a mudança muito pior pois tinha como bagagem mais de vinte anos na plataforma PC. Entretanto até agora não tenho uma única crítica para meu MacBook, ao contrário. Sua estabilidade, velocidade e principalmente a forma com que trabalha com vídeo e imagens (algo que faço por hobby) me permite que criar conteúdos multimídia que, em uma plataforma PC é uma tarefa no mínimo ingrata para não dizer frustrante.
Como nem tudo são flores, antes da mudança me atormentava a questão de não poder usar o Linux dentro de minha nova máquina. Atormentava até a primeira semana quando conversando com alguns colegas já usuários de Mac e também por buscas na Internet, descobri que a virtualização é algo comum nesta plataforma e que me permitia ir além do que esperava, podendo executar dois ou mais sistemas operacionais simultâneamente. Algo extremamente funcional para desenvolvedores web que, como eu, precisam constantemente testar códigos em duas ou três plataformas e navegadores diferentes (obrigado Microsoft!).
Até pouco tempo atrás o uso de sistemas operacionais “não Apple” dentro de máquinas Macintosh era uma possibilidade para poucos. Devido sua arquitetura de processadores PowerPC, as opções eram reduzidas e somente alguns mais corajosos se enveredavam nesta área. Entretanto quando a companhia lançou suas primeiras máquinas baseadas em processadores Intel, tudo mudou. A facilidade de instalação e uso de outros sistemas tais como Linux e Windows nestes equipamentos subiu alguns patamares e hoje não é raro ver máquinas Mac com dois, três ou quatro sistemas operacionais funcionando muito bem.
Junto com esta mudança, outra vem ocorrendo de forma sutil mas consistente. A chamada virtualização, já bem conhecida dos usuários de Linux que a utilizam para a instalação de outros sistemas dentro do pinguim, também está disponível de forma sólida para Mac OS/X permitindo que em poucos cliques qualquer usuário tenha um novo sistema operacional dentro de sua plataforma de hardware.
E sobre isso trata este tutorial. A instalação da mais nova versão do Ubuntu, 7.10, em uma máquina virtual gratuita e livre em equipamentos Mac baseados nos processadores Intel. Existem outras opções? Sim, sem dúvida. Mas estas serão comentadas ao longo do texto e são assunto para outro artigo futuro.
Observação: se preferir, este mesmo tutorial está disponível para download nesta página em formato PDF. Autentique-se para obtê-lo.
A virtualização de sistemas pode soar estranho e até obscuro para alguns usuários no primeiro momento. Em outros usuários o assunto inicia uma onda de calafrios principalmente por causa de tentativas frustradas no passado. Hoje tudo mudou (pelo menos em Mac). A instalação de um pequeno aplicativo no Mac OS/X permite que o usuário em pouco tempo tenha qualquer sistema operacional que goste rodando simultâneamente com o sistema nativo ou em outro também virtualizado.
Como tema deste tutorial escolhi a nova versão do Ubuntu, 7.10 por vários motivos: ter sido lançada há menos de uma semana e com isso testar sua estabilidade dentro de uma máquina virtual sendo executada em um computador Macintosh e claro, disponibilizar a informação para outros usuário que, como eu, desejam trocar de plataforma mas não querem perder seu Linux. Este tutorial também foi motivado pelo medo de um grande amigo, Julio Neves que, em viagem ao velho continente, testou um Mac e não gostou pois a resposta dos comandos executados no console era diferentes daquelas que estava acostumada no Linux. Assim, à ele apresento também uma forma de eliminar este porém e, quem sabe, eliminar também o medo de cometer o pecado da maçã.
A peça-chave para “o milagre da multiplicação” chama-se VirtualBox, uma máquina virtual criada pela empresa alemã innotek GmbH que permite ao usuário instalar quantos sistemas operacionais desejar em uma mesma máquina. Disponível para instalação em Mac, Windows e também Linux (várias distros suportadas), a VirtualBox possui uma vantagem sobre a maioria das máquinas virtuais existentes no mercado, sendo o principal motivo para sua escolha dentre várias testadas: está licenciada sob GPL. Com isso não só o código-fonte está assegurado mas também a liberdade tanto desejada por vários usuários.
Máquinas virtuais são softwares que instalados em um computador (hardware) emulam outro computador completo para o sistema operacional guest (convidado) que acredita estar sendo executado em uma verdadeira máquina toda para ele. Resumindo, a máquina virtual “engana” o sistema operaracional convidado dando à ele um computador que não existe. Este tipo de máquina virtual é conhecida como máquina virtual de hardware.
As principais funções de uma máquina virtual são: prover ao sistema operacional guest um ambiente completo de hardware e também interceptar as chamadas deste sistema operacional e traduzí-las para o hardware real onde ele está instalado. Uma visão gráfica deste processo pode ser vista na figura a seguir.

O conceito de máquinas virtuais não é algo novo. Ele foi criado na década de sessenta e usado pioneiramente pela IBM em máquinas CP-40 (virtualização total) e desde então vem sendo usado na indústria da computação principalmente em momentos onde são necessários vários sistemas operacionais dentro um mesmo computador, seja por motivo de custo do equipamento por necessidades específicas (como é nosso caso neste tutorial).
A instalação proposta neste tutorial é de uma máquina virtual de hardware onde será instalado o sistema operacional Ubuntu dentro de um outro sistema operacional (neste caso, o Mac OS/X). Para isso é necessário obter a máquina virtual VirtualBox, disponível para download gratuito no endereço http://www.virtualbox.org/wiki/Downloads
Observação: existem duas formas de licenciamento diferentes da VirtualBox e também duas formas de instalação. Este tutorial trata da versão disponível pela licença PUEL devido a sua fácil instalação por usuários iniciantes. Se você prefere a compilação da máquina virtual a partir do código-fonte e consequentemente a versão GPL, acesse o site da VirtualBox pelo endereço acima para maiores explicações.
Na página informada, clique sobre o link VirtualBox for OS X Hosts e faça o download do pacote dmg. Mas atenção, esta versão somente pode ser executada em máquinas com processadores Intel.
Finalizado o download, faça a instalação do VirtualBox montando o pacote e clicando sobre o arquivo VirtualBox.mpkg. Responda as perguntas feitas pelo sistema de instalação e aguarde o término do processo. Será criado um ícone dentro de sua área de aplicativos do sistema. Clique sobre este ícone para executar a máquina virtual e instalar o Ubuntu.
Para a instalação do Ubuntu (ou qualquer outro sistema operacional) é necessário preparar o ambiente onde ele será instalado. Para isso, execute a máquina virtual (se ainda não o fez) e clique sobre o botão New existente na barra de botões. Uma janela como a seguinte será apresentada:

Esta é a janela de boas vindas do wizard de instalação e configuração de seu sistema operacional guest, a aplicação que irá conduzí-lo passo a passo na instalação. Clique no botão Next para continuar.
Na próxima janela (VM Name and OS type) digite o nome de sua máquina virtual. Este nome pode ser qualquer coisa que identifique-a. Neste caso o nome escolhido foi “Ubuntu 7.10” por motivos óbvios. Também selecione o sistema operacional que será instalado. Atenção, esta opção é muito importante pois de acordo com o sistema operacional escolhido serão carregadas diferentes configurações. Para Ubuntu, Slackware, Fedora, Mandrake e outras distros baseadas em kernel 2.6, selecione a opção “Linux 2.6”.
Após nomear a máquina virtual e selecionar o sistema guest, clique em Next.
Na janela Memory você deve informar a quantidade de memória física alocada para a máquina virtual. Como a máquina virtual carrega todo o sistema operacional guest em memória, a escolha desta opção é muito importante e deve ser feita com cuidado. Se você especificar memória demais, sua máquina real ficará muito lenta e possivelmente não conseguirá trabalhar no sistema operacional original (neste caso, no OS/X). De outro lado, se especificar pouca memória, seu sistema guest ficará extremamente lento e tornará a execução frustrante.

A VirtualBox verifica qual a quantidade de memória existente e sugere um determinado valor. Normalmente este é suficiente para executar a maior parte das aplicações existentes no sistema guest. Minha sugestão é que aceite o valor informado (normalmente em torno de 256MB de ram) e faça um teste. Se a velocidade de processamento for muito lenta ou se deseja que os comandos do novo sistema respondam mais rápido, altere este valor posteriormente.
O sistema guest será instalado em seu computador naquilo que é chamado de “virtual hard disk”; um disco rídigo virtual dentro de seu disco rígido. Para criar um disco virtual, selecione a opção <no hard disk> e clique no botão New existente na janela Virtual Hard Disk. Um novo wizard será executado, o qual irá ajudá-lo na criação de seu disco virtual.

Dinâmico ou fixo?
No wizard de criação do disco virtual, uma pergunta deve ser respondida: Qual o tipo de disco que deseja? Dinâmico ou fixo? A diferença entre os dois é a seguinte: quando você cria um disco dinâmico, seu tamanho é mínimo e vai aumentando conforme as necessidades do sistema guest, ou seja, se for instalado um novo aplicativo no Ubuntu, o tamanho deste disco aumenta fisicamente para comportar o novo aplicativo.
No caso de um disco fixo, você precisa especificar um tamanho para o disco virtual. O tamanho informado é o mesmo (ou muito próximo) do arquivo que será gravado em seu disco rígido real. Então, se você especificar nesta opção um tamanho de disco virtual de 20 gigas, serão usados 20 gigas de seu disco rígido verdadeiro. Na opção do disco dinâmico, o espaço usado em disco é somente aquele que realmente é usado pelo sistema guest.
E quem é melhor?
Se você usa eventualmente o sistema guest ou possui pouco espaço livre em disco, selecione a opção dinâmico. Caso contrário, prefira a opção de disco fixo. Ela é mais rápida na execução do sistema instalado.
Na janela Virtual Disk Image Type, selecione a melhor opção para seu caso e clique em Next (neste tutorial será usada a opção de disco dinâmico).
Na janela Virtual Disk Location and Size você deve escolher o local onde seu disco virtual será criado, ou seja, em que diretório/pasta o arquivo com o sistema guest será armazenado. Selecione esta opção com o botão existente no lado direito da caixa Image File Name. Também dê um nome (ou use o sugerido) para seu disco virtual.

No slider Image Size você especifica o tamanho do disco rígido virtual que deseja. Se escolheu a opção de disco dinâmico, selecione ao menos 3GB de espaço. Este é o mínimo normalmente necessário pelas distros Linux atuais. Entretanto, se você escolheu usar a opção de disco virtual fixo, informe aqui o quanto de espaço deseja (no mínimo 3GB), lembrando-se que o arquivo que contém o disco virtual será de mesmo tamanho. Clique em Next para continuar.
A última janela do wizard de criação do disco virtual é somente um sumário que informa onde o arquivo será criado e também o espaço físico consumido. Se estiver tudo de acordo com aquilo que deseja, clique no botão Finish para criar o disco e finalizar esta parte. Caso contrário, clique em Back e corrija as opções existentes.

Quando o wizard de criação de disco virtual é encerrado, a janela Virtual Hard Disk novamente é apresentada mas agora com o disco que você acabou de criar. Para dar sequência no processo de preparação da máquina virtual, clique em Next nesta janela para ir ao sumário de criação da máquina virtual.
Tudo pronto para a criação do ambiente. A janela de sumário apresenta os dados informados por você para a criação da máquina virtual, bastando agora somente clicar em Finish para iniciar o processo de criação da máquina e a preparação para a instalação do Ubuntu.

Todas as máquinas virtuais existentes são listadas na janela do VirtualBox. Para fazer a instalação do Ubuntu, dê um duplo clique sobre a máquina virtual que foi criada há pouco e execute-a.

Uma mensagem informando que a opção de Auto Capture Keyboard está ativa será mostrada na janela da máquina virtual. Esta opção permite que as ações do teclado sejam capturadas pela máquina virtual e não mais pelo sistema host, ou seja, tudo o que você digitar ou clicar será executado no Ubuntu e não no OS/X. Para mudar o status desta opção verifique a combinação de teclas na barra de status da máquina virtual indicada pelo símbolo
(normalmente a tecla de command esquerda). Clique no botão Ok desta mensagem para executar o First Run Wizard.
Na primeira janela do wizard inicial de instalação você deve informar qual o tipo de mídia que será usada para a instalação do sistema guest. Com toda a certeza será um CD ou DVD já que disquetes cairam em desuso há muito tempo (mesmo assim ainda existe esta opção). Você também deve selecionar o “source” da mídia, ou seja, em que local ela está. Selecione seu drive de CD pela opção Host Drive e clique em Next.

Uma dica: é possível instalar o Ubuntu a partir de uma imagem ISO existente em seu disco rígido. Para isso, selecione a opção Image File e informe a localização da imagem.
Insira a mídia do Ubuntu (ou outro sistema que esteja instalado) dentro do drive e clique no botão Finish. Magicamente a tela de instalação do Ubuntu é mostrada dentro de uma janela negra como se fosse qualquer instalação comum em uma verdadeira máquina. A partir deste ponto basta seguir os passos de instalação da distribuição que são os mesmos já conhecidos pelos usuários deste sistema. Se você não sabe como instalar o Ubuntu, clique aqui e obtenha maiores informações.

É totalmente normal você sentir uma degradação de performace nas aplicações do seu sistema host (Mac OS/X) enquanto o sistema guest está sendo instalado. Como este processo ocupa uma grande quantidade de memória e processamento, suas aplicações ficarão um pouco lentas mas voltarão ao normal assim que ele for finalizado.

Se tudo ocorrer como previsto, dentro de alguns minutos você terá um novo sistema operacional em funcionamento em seu Mac. Para usá-lo, simplesmente execute o VirtualBox que está na pasta de Aplicativos e inicie a máquina virtual do Ubuntu.
O processo descrito neste tutorial é válido também para outros sistemas operacionais, inclusive Windows (claro que não sei porque vai instalar Windows em Mac, mas tudo bem), BSD, Solaris e outros. Fique à vontade para fazer os testes que deseja e, em caso de dúvidas, entre em contato clicando aqui. Se desejar comentar alguma parte deste tutorial ou todo ele, autentique-se no site ou crie uma conta. Acredite, seus comentários são muito bem vindos e serão certamente respondidos por mim.
Bom proveito!