No meio da briga

Internet, Software Livreem 29/05/2007Sem Comentários

Ministro neozelandês vai à campo e inicia a briga entre escolas públicas e Microsoft. No meio da pancadaria, cem milhões de dólares em gastos com licenças, software livre, Mac’s, egos feridos e claro, os kiwi’s de todo o país.

A edição de 30/05 do jornal New Zealand Herald traz uma reportagem intitulada “Pupilos sofrem na briga de computadores das escolas” (Pupils suffer in schools computer row) na qual o Ministro da Educação neozelandêz, Steve Maharey, indica que os MS-Office de vinte e cinco mil computadores Macintosh das escolas do país sejam desinstalados e trocados por uma versão livre da suíte de escritório, no caso, o NeoOffice.

A briga que promete muitos rounds vem do argumento que somente nos últimos dez anos, o ministério da educação deixou nas mãos da companhia norte-americana “somente” cem milhões de dólares em licenças de Office e que, para a renovação das mesmas, a Microsoft estaria insistindo na cobrança pelo licenciamento de TODOS os pacotes, mesmo aqueles que não seriam mais usados, fosse por obsolência do equipamento ou ainda por migração de plataforma e/ou hardware, gerando um gasto adicional ao ministério de NZ$ 2.7 milhões (cerca de 4 milhões de reais).

Obviamente que diante do anúncio oficial do ministro a Microsoft colocou seu time em campo para apagar o incêndio, reduzindo o preço de suas licenças abaixo da tabela para que as escolas afetadas (cerca de 30%) possam adquirir o produto diretamente do fabricante.

Entretanto o que mais chama a atenção na reportagem é que, tal lá quanto no Brasil, existem pessoas com língua grande e pouco conhecimento de causa. Neste caso, o presidente da Associação das Escolas Primárias de Auckland, Julien Le Sueur, diz que o NeoOffice é um produto “cheio de problemas” e que o “website oficial avisa aos usuários que possivelmente irão encontrar vários bug’s no aplicativo”, numa típica apresentação de ignorância informática e chutes contra o patrimônio pois, que eu saiba, todo o software tem bug’s, inclusive aquele que está sendo defendido.

Vale a pena ler a reportagem que pode ser encontrada clicando-se aqui. Certamente ainda serão vários rounds atrás das notas plastificadas da Nova Zelândia e das mentes dos pequenos kiwi’s.

Kiwi = Nome típico usado para designar um neozelandêz

Software Livre sofre golpe na Tailândia

Internet, Software Livreem 25/12/2006Sem Comentários

Seguindo a nova política ditatorial do país, ministro da Ciência e Tecnologia afirma que software livre não possui propriedade intelectual, que é de baixa qualidade e que seu país pode fazer “bons softwares sem ele”. Resultado prático: vai-se a liberdade do povo pelo ralo.

Em meados de setembro deste ano a Tailândia sofreu mais um golpe militar. A Constituição foi suspensa e o novo regime declarou lei marcial no país. Nada muito diferente do que foi visto em várias outras democracias da América Latina ao longo do século XX.

No desdobramento dos acontecimentos, o novo ministro interino de Ciência e Tecnologia nomeado ontem declarou guerra ao software livre e sua nova política coloca abaixo todas as decisões tomadas anteriormente.

“Com o open source, não existe propriedade intelectual. Qualquer um pode usar e todas as idéias tornam-se de domínio público. Se ninguém pode fazer dinheiro com isso, não existe desenvolvimento e os softwares open source ficam rapidamente obsoletos” ele comenta. Seguindo o pensamento, Sitthichai Pokai-udom desafia: “Como um programador, se eu posso escrever um bom código, por quê eu devo liberá-lo? A Tailândia pode fazer bom código-fonte sem o open source”.

Claro que as declarações vão de encontro com o esperado pelo governo ditatorial que não deseja a liberdade de expressão e tampouco a facilidade de compartilhamento do conhecimento pelo seu povo. Quanto mais fechado, mais fácil se torna a fiscalização e consequentemente o cerceamento das liberdades. Com isso, além do uso de tanques e metralhadoras, o novo governo ataca a liberdade de expressão também na tecnologia.

A notícia é preocupante em vários sentidos, sendo o principal deles o visível atentado às liberdades de escolha e também o retrocesso em toda uma política que estava sendo adotada pelo governo, inclusive com os testes programados neste mês de 530 máquinas do projeto One Laptop Per Child para adoção naquele país.

Não acabou ainda

Pessoal, Software Livreem 10/11/2006Sem Comentários

Atendendo um convite, entre um evento e outro, mais uma palestra numa faculdade em Santa Bárbara D’Oeste, interior de São Paulo.

Dia 30 de novembro estarei em Santa Bárbara D’Oeste a partir das 19:00 horas atendendo o convite do professor Adriano Pila da Faculdade Comunitária de Santa Bárbara para ministrar uma palestra com o tema “Vivendo com o Software Livre“, onde irei abordar o momento atual do software livre em nosso país e no mundo, bem como as vantagens de uso de plataformas livres por pessoas de todos os tipos.

A palestra é aberta para toda a comunidade acadêmica ou não e maiores informações podem ser obtidas na faculdade pelo telefone (19) 3463-8456.

Não perca!

Tux Magazine nº 19 no ar

Software Livreem 02/11/2006Sem Comentários

Já está disponível para download a edição 19 da Tux Magazine, revista eletrônica voltada aos usuários novatos de Linux já está na sua edição 19. Neste número, várias idéias para presentear seus amigos no natal, Thunderbird, Planner, KMyMoney, Quake 4 e muito mais.

Para fazer o download da edição, acesse o site da revista clicando aqui.

O Software Livre é muito melhor que o Windows

Pessoal, Software Livreem 22/08/2006Sem Comentários

Consultor de Sistemas/Ti afirma que o Windows é muito melhor que o Software Livre? Será mesmo?

O consultor de sistemas/TI, Paulo Bindo, publicou há alguns dias no site técnico da Microsoft Brasil, Technet, um artigo onde afirma que o Windows é melhor que o Software Livre. Acredito que para tal, o articulista procurou algumas informações e corretamente discorreu sobre GPL, utilização desta licença e sendo inclusive feliz quando afirmou que “Quando falando sobre o software livre, é melhor evitar o uso de termos como “dado” ou “de graça”, máxima esta pregada por todos os adeptos desta comunidade, desde os mais novos até os famosos gurus.

Mas em algum ponto sua atenção foi desviada e infelizmente aquele que poderia ser um bom artigo de um profissional que trabalha com softwares fechados sobre o modelo de Software Livre, acabou tornando-se mais um “comentário de quinze minutos” que irá engrossar a história das tentativas frustradas de imputar ao modelo livre algo que ele não é. Vejamos do que se trata.

O articulista afirma que para a instalação de uma rede baseada em Software Livre é necessário contratar um profissional que irá configurar tudo manualmente e de acordo com seus conhecimentos, fazer as modificações que achar necessárias e compilar e aplicar as atualizações manualmente.

Seguindo adiante, afirma ainda:

“Atrás de uma rede Microsoft existe toda uma metodologia, equipe de suporte, centros de treinamento, grupos de discussão. Isto é uma segurança que nenhum software livre pode dar. Imagine se o administrador de rede, que modificou e configurou um software livre, resolve abandonar a empresa. O que foi modificado? Quem dará suporte? Quem atualizará o software livre com uma nova versão? Qual a garantia que irá funcionar?”

Nestas duas afirmações existe um jogo de palavras que o leitor desatento pode engolir e ter uma congestão complicada por um aneurisma cerebral. Então, “get the facts”

Deployment, atualização e manutenção
A contratação de um profissional é sem dúvida necessária em ambos os modelos. Entretanto, tal qual o software fechado, o Software Livre possui ferramentas de deployment tão boas ou melhores que vendidas por seus concorrentes. Exemplo delas são o Yast e auto Yast da Suse e também, para aqueles que possam dizer que o modelo de negócios da Novell não condiz com o Software Livre, ferramentas como o H-Inventory (http://sourceforge.net/projects/h-inventory) ou ainda o Mosquito SREF (http://sourceforge.net/projects/mosref) são soluções a altura de qualquer rede e qualquer ambiente, além de possuirem uma vantagem muito interessante: cross-platform, ou seja, trabalham em qualquer plataforma de software. Para soluções nacionais, tanto o Jegue quanto o Pagode (http://www.anahuac.biz/lesp) são alternativas que mesmo com seus nomes engraçados, cumprem diversas tarefas de integração e trabalho com redes herterogênas e sistemas e e-mail.

A compilação e aplicação de atualizações são também pontos interessantes a serem discutidos. Da mesma forma que o software fechado, são necessários ajustes finos em qualquer sistema operacional (o famoso Regedit) devido as diferenças de hardware, rede, cabeamento e aplicações que estão em funcionamento nos servidores. Seria humanamente impossível afirmar que qualquer empresa ou comunidade é capaz de criar um sistema operacional que se ajusta automaticamente em qualquer meio. Assim, a intervenção humana é necessária em AMBOS os casos. Isto é fato.

Já as atualizações podem (e são) executadas tanto com aplicativos específicos (como os mencionados acima) ou da mesma forma que o Windows, onde é criado um repositório local e deste executar a atualização automática para todos os servidores e desktops da rede. Assim não se torna necessária a configuração de absolutamente nada, exceto dizer qual é o repositório (como também na outra plataforma), principalmente em distribuições como Ubuntu, Debian e Fedora.

Metodologia e abandono
Uma das grandes vantagens do Software Livre é o compartilhamento do conhecimento. Por não ser fechado sob patentes e/ou direitos de uma empresa, qualquer pessoa pode ver o que o software faz, como ele faz e como ele foi feito. Ao contrário do que o articulista afirma, esta não é uma característica ruim do modelo, pelo contrário. No exemplo citado, caso o administrador abandonasse a empresa, a solução seria contratar outro profissional para dar andamento no ponto que o anterior parou.

Mas virando a roda fica a seguinte pergunta: “e se a empresa do software fechado resolve encerrar o ciclo de vida daquele produto ou fecha suas portas? Quem irá atualizar e fornecer o suporte necessário àquela plataforma instalada, principalmente no momento de uma atualização crítica ou upgrade de versão?” Impossível de acontecer? Não mesmo. Exemplo disto foi o abandono do sistema operacional OS/2 pela IBM que levou instituições como o Banco do Brasil a se preocuparem mais com a questão pois todo o investimento feito até aquele momento não mais seria suportado pelo detentor do código. Resumidamente um típico “a bola é minha e não quero mais jogar”.

De outro lado, tanto a metodologia quanto suporte e treinamento são fatos dentro do mundo do Software Livre. Empresas como HP, Novell, RedHat, IBM e outras grandes fornecem suporte às suas aplicações e aplicações de terceiros nos mesmos moldes que o software fechado, mas com uma diferença: custo reduzido e estabilidade na aplicação. No mesmo segmento, pequenas e médias empresas nacionais como TYR, 4Linux, Impacta, LinuxFi, Solis, OpenS, Apoena Software Livre e outras, possuem equipes para suportar quaisquer tipo de necessidades do mundo livre e também fornecer treinamentos e certificações como quaisquer outras empresas “não livres”.

Fóruns, listas e grupos de discussão são a mola propulsora do modelo comunitário do software livre. Pessoas se organizam caórdicamente em torno de projetos e aplicações com o intuito de portá-las, estabilizá-las, incrementá-las e modificá-las de acordo com interesses não somente do mercado, mas também de pequenos grupos ou comunidade espalhadas pelo mundo. Plataformas de hardware que seriam descartadas comumente recebem uma sobrevida de vários anos para aplicações mais simples e que não exijam grandes demandas de performace e resposta, algo impensável no modelo fechado de desenvolvimento. Desta forma não somente o suporte ao atual, ao moderno e ao top de linha é feito, mas também ao antigo, ao desatalizado e ao low-end.

Conclusão
Não posso negar que meus anos de trabalho com o software fechado me permite discorrer sobre o modelo com tranquilidade, vantagem esta que o articulista apresentou não ter devido ao desconhecimento, intencional ou não, da matéria em questão. E da mesma forma que o articulista afirma, o Software Livre é muito mais que uma ideologia. É um fato incontestável e uma tendência irreversível e natural na globalização e no mercado capitalista atual onde empresas, organizações e negócios demandam cada vez mais por menos. Menos não significa somente licenças. Menos significa também menos vírus, menos spam, menos bug’s e menos paradas do sistema. Junto disso, algo que nenhum outro modelo pode fornecer: a real possibilidade de um mundo mais igualitário, também no software.

Sabe o que tem de novo?

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