Era uma quinta-feira ensolarada na cidade de Campinas, interior de São Paulo. Estava excitado como qualquer pré-adolescente poderia estar com um brinquedo novo. Sairia em breve com minha mãe para comprar meu primeiro computador. Leia mais…
Venho há muito tempo (tanto que não me lembro quando comecei) falando em minhas palestras pelo país sobre as oportunidades relacionadas com software livre e mais especificamente com ferramentas de gestão. Este assunto já foi motivo de artigo em revista, de texto em blog e sempre é recorrente em quase todas as minhas apresentações. Num país onde sete milhões de jovens estão as margens do trabalho decente mesmo se considerando os mais otimistas do mundo quando seus futuros, não ouvir este tipo de aviso é como estar num barco com o casco aberto, acreditar que a água não vai entrar e que você não deve usar colete salva-vidas. Leia mais…
Internet, Pessoal•
em 10/12/2009•
E vai começar a segunda década do novo milênio. Dentro de alguns dias estamos entrando em 2010, ano de copa do mundo, de eleições, de pré-sal, de pós-crise, de Rubinho na Williams, de horário político e claro, de diversos escândalos pelo país afora. Mas mesmo assim, como bom esperançoso que sou, será um ano muito melhor que 2009 com realizações mil para todos.
Longe de querer encarnar o Nostradamus da Internet, tenho minhas apostas pessoais para a próxima década daquilo que pode acontecer e também daquilo que não pode. Como de médico e louco todo mundo tem um pouco, vamos apostar.
O comércio eletrônico vai explodir
Em 2010? Duvido. Vai explodir no momento que tivermos efetivamente banda em nosso país. Atente-se, comércio eletrônico não é somente vender quinquilharia via lojinha na rede, é muito mais que isso. Filmes on-demand, games e outros serviços que trazem um lucro muito maior que qualquer outra coisa dependem de banda para serem implementados e isso não acontece tão cedo. O que vai continuar firme e forte é o sexo na rede, a jogatina e os golpes aos desavisados (ou estúpidos, como queira). Enganar os outros é o passatempo preferido da humanidade.
DSL para todos
Tire seu cavalo da chuva, ou melhor, da cama. Isso não vai acontecer em 2010 MESMO!
Primeiro, passar cabo é caro pacas e ficar usando cabo velho, não dá velocidade e tampouco qualidade de sinal. Segundo, prover DSL a 30 reais obrigando o internauta a fazer assinatura mensal é colocar lobo para cuidar de galinhas. Enquanto a maioria do setor tenta desonerar o povão, vem gente colocando mais taxa no coitado do brasileiro. Terceiro, rede aérea (wi-fi, wimax, 3G e outras) é algo que não vai surgir da noite para o dia, infelizmente. Estamos mais para Tailândia que para Finlândia neste quesito. Junte tudo isso e coloque no meio a eleição presidencial e lhe pergunto: acredita mesmo que vai ter fibra ótica passando em sua casa? (tomara que me engane).
Internet para todos
Nananinanão. Não vai ter também. É inclusive redundante falar nisso (vide a DSL anterior).
Redes sociais
O Facebook vai explodir no Brasil enquanto o Orkut se torna aquele velho chato insuportável (mesmo com as toneladas de maquiagem que o Google passou nele). Muito mais simples, interativo e inteligente, o “6º país do mundo” vai aterrissar com toda a força nas praias brasileiras e você vai ter muito mais “amigos” conectados do que imagina. Não me pergunte para quê pois esta resposta também não tenho. Na rebarba, MySpace (alguém tem?), Sonico e outras tentam manter o nariz fora d’água.
E o Twitter?
Continuará piando mas se não trocar as penas, vai virar gralha. Estão chegando alguns novos serviços que podem atrair usuários mais desejosos de funcionalidades. Google Wave (wave.google.com), Jaiku (www.jaiku.com), Brightkite (brightkite.com) e o Plazes (www.plazes.com) podem ser muito interessantes principalmente com os rumores que daqui há pouco começa a aparecer anúncio no Twitter, o que definitivamente ninguém suporta.
Software Livre? Como fica?
Muito bem obrigado. Já provou para todos (exceto para os jornalistas de TI brasileiros que participam de programas de entrevistas sem saber o que perguntar) que é “BBB” – bom, bonito e barato e está cada vez mais entrando em nossas vidas. Firefox continua em curva ascendente no mercado de navegadores, BrOffice está sendo implantado em mais de 80 mil estações somente numa empresa (a maior implantação do mundo), o Ubuntu surpreendendo a cada nova versão e as ferramentas de gestão estão cada dia melhores e mais completas. Além da força do governo aqui e lá fora, o mercado corporativo descobriu suas qualidades, deixou de lado o receio dele ser algo somente de e para adolescentes e começou a reduzir custos com seu uso. Tudo que qualquer empresário deseja.
Para completar, arrisco que na próxima década o maior fornecedor de software livre do mundo será…. a Microsoft! (é para deixar qualquer um louco não?)
A liberdade e as leis
Campo fértil este, principalmente no senado brazuca. Tio Azeredo continua com a “caça às bruxas” para ver se emplaca alguma coisa pela qual seja lembrado na posterioridade (mesmo que seja o famigerado projeto de lei de vigilância da Internet) e o ex-senador “coitadinho o dó queridinho da mamãe comprador de votos” Expedito Júnior, fica de molho durante 3 anos e seu projeto de lei para regulamentação da profissão de analista de sistemas pula de galho em galho. Já no outro prato de Brasília, deputados não se fazem de rogados e conseguem criar monstros ainda maiores que seus pares no senado, como o caso de Ge Temuta (é o nome dele) que consegue extrapolar qualquer sensatez em seu PL 5361/2009. Saudades do AI-5?
Seu trabalho, meu e dos chineses
Aqui, nada muda. Vamos ter menos tempo para as melhores coisas da vida (tomar cerveja e falar mal da vida dos outros) e ter mais e-mails em “torpedos” para responder. Eles agora chegam dentro do celular até mesmo debaixo da terra e não param de atormentar. Pessoas normais que até pouco tempo conseguiam ficar longe das mensagens se vêem diante de uma enxurrada de informação nunca vista (os médicos agradecem). A tal da globalização, o celular pré-pago e as lan-houses auxiliam nesta investida textual em nossa sanidade.
Do outro lado do mundo, a China não pára. Na terra que não possui sobrinho (o sonho de todo o programador), eles fazem mais por menos e vemos nossos empregos migrando para o oriente. Para conseguir virar um pouco o jogo, somente a criatividade do brasileiro mesmo porque por número, estamos fritos.
E eu, como sempre, peço ao Jon “papai noel” maddog Hall um teletransporte para as já 30 viagens agendadas e dias com pelo menos 36 horas de duração. Quem sabe desta forma não fico preso no trânsito caótico de São Paulo, consigo almoçar decentemente e entregar os artigos de minha chefe em dia, deixando todos felizes e sorridentes, principalmente eu.
Um ótimo ano novo para todos nós!
Por que o mercado web mobile é tão importante e ao mesmo tempo tão esquecido? E quais são as oportunidades nele? Leia aqui.
O mercado web mobile, ou em nosso bom e velho português, o mercado web na telefonia móvel está somente começando. Digo começando porque simplesmente as possibilidades permitidas por esta plataforma ainda engatinham e o que se faz financeiramente dentro dela é pífio perto do que estará acontecendo em alguns anos.
Não tenho dúvidas que em algum momento na próxima década o acesso à Internet pelo uso da telefonia celular ultrapassará todas e quaisquer outras formas de recebimento de informações. Poderemos ler facilmente e com mais qualidade notícias e informações, acessar serviços e claro, comprar. Alguns podem até dizer que isso já é possível nos dias de hoje mas o que vislumbro está muito além dos simplórios sistemas, websites e ferramentas existentes atualmente nos chamados “smartphones”. A integração será realmente total e dentro deste ambiente móvel, muito dinheiro poderá ser feito.
Poderá, veja bem, poderá. Ainda é uma boa aventura estar dentro da Internet móvel e algumas empresas já começam a fazer tímidas e pequenas visitas neste novo mundo. O custo muitas vezes proibitivo do desenvolvimento de aplicações, a exuberante fauna de opções de plataformas que precisam ser atendidas (até parece a velha briga de browsers), a infinidade de tamanhos de telas; tudo isso contribui para esta timidez.
Uns levantam a bandeira que está na hora de entrar no mobile. Para certas empresas esta hora inclusive já passou mas para outras ainda é chover no molhado. Quem atualmente pode se beneficiar com as conexões móveis são principalmente aqueles que precisam de informações corporativas que estão dentro de uma intranet ou extranet. Executivos e gerentes podem acessar seus documentos e dados diretamente de seus ERP’s e/ou CRM’s em qualquer lugar (exceto dentro do avião) e manter o serviço atualizado. Já outros, como é o caso da grande maioria dos websites de comércio eletrônico ainda não perceberam que colocar tudo dentro do smarthphone é de uma falta de senso tremenda. Fazer uma loja virtual de venda de camisetas para iPhone seria o mesmo que criar um tradutor automático para dialetos falados na Polinésia Francesa; tão útil que ninguém sabe para que serve (exceto se você deu uma escapadinha na noite e precisa urgentemente de uma camisa nova para chegar em casa).
De outro lado seria imensamente interessante, por exemplo, poder comprar uma pizza pelo celular ou até mesmo, quem sabe, um cachorro-quente para aqueles momentos de fome ou de gula desenfreada. Da mesma forma, enviar flores para a amada num rompante de carinho ou ainda fazer uma surpresa para um colega com algum mimo que seja também é algo para se pensar muito bem. Alguns produtos podem e devem ser vendidos no celular, outros não. Somente isso.
As tecnologias estão a cada dia facilitando mais a entrada de negócios no mundo móvel, as conexões cada vez mais velozes e penetrando em mais lugares (veja o metrô de São Paulo) e os custos destas mesmas conexões caindo vertiginosamente (claro, em outros países, não no Brasil). Tudo isso colabora para que o mercado cresça e se desenvolva mas ainda existem outros poréns que devem ser levados em consideração.
O custo de portar qualquer aplicação para a plataforma móvel, a falta de pessoas e empresas capazes desta portabilidade e finalmente o tiro no escuro neste momento que pode ser o negócio no telefone celular faz com que ainda sejam poucas as oportunidades de uso efetivo. Para as duas primeiras já existe no Brasil algumas opções (inclusive de software livre). A terceira diz respeito diretamente as duas anteriores. Enquanto os custos são proibitivos e os recursos escassos, pouco teremos nos smartphones.
Mas espere, nem tudo está perdido! Existem aplicações que já estão nos celulares e outras que, não se sabe porque ou por quem, deveriam estar. Exemplo claro são as aquisições de ingressos para cinema e outros eventos. Muito mais fácil que pegar uma bilheteria lotada é acessar um website e fazer a aquisição do ingresso (que inclusive nem precisa ser impresso se a rede de cinemas for inteligente). Quer coisa melhor que aquele cliente passeando no shopping de bobeira comprando uma entrada para a sessão que começa dentro de 10 minutos? Ou ainda encontrar um determinado caixa eletrônico, farmácia ou carrinho de cachorro quente numa madrugada qualquer de São Paulo? Ou quem sabe uma imobiliária que pode apresentar as fotos e informações de um apartamento diretamente no celular do futuro inquilino que está diante do prédio mas passou o horário comercial de atendimento?
Para entrar no mundo móvel não basta somente querer e ter dinheiro. É preciso também ter idéias e ver o mundo com outros olhos, afinal, já que as “telinhas” estão cada vez mais sofisticadas e inteligentes, não se aproveitar delas e conquistá-las (bem como a seus donos) é uma tremenda falta de sendo de oportunidade? Inovação e imaginação, duas palavras-chaves no mundo “mobilizado”.
Internet, Pessoal•
em 21/10/2009•
No começo deste mês fui convidado pelo professor Gil Giardelli para apresentar uma palestra na ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing de São Paulo. Aceitei o convite de bom grado mesmo sabendo que seria um desafio enorme pois antes já tinham passado diversas feras na mesma classe e os estudantes decerto eram a nata desta área no Brasil. Um medo grande com certeza de não cumprir com a demanda.
Confesso que não sabia muito como agradar tão seleta audiência mas me esforcei e principalmente, inovei. Contei um pouco da minha história desde meus antepassados vindos da Itália e como inovamos de várias formas ao longo desta trajetória. No final, pensei em passar uma mensagem para os estudantes que pudessem carregar consigo e que resumisse de alguma forma o que penso de inovação.
Bem, acredito que tenha cumprido com meu papel diante das pessoas presentes e como prometido, o que era uma apresentação virou um vídeo o qual coloco a disposição aqui.
Gostou? Comente. Vou adorar saber o que achou. Não gostou? Comente também. Não sou dono da verdade e posso ter errado em alguma mensagem que desejei passar. Quer usar o vídeo, esteja à vontade. Ele é licenciado sob Creative Commons.
Obs: quem quiser o vídeo em alta resolução, é só pedir.