Um ano novo diferente para sua carreira

Pessoalem 05/01/2007Sem Comentários

Acabou a faculdade e está com aquela coceira para fazer algo diferente? Quer dar um novo rumo para sua vida e carreira? Então que tal enfrentar o medo e tentar algo fora do país? Oportunidades não faltam para quem é bom, não só profissionalmente.

Começo de ano sempre é uma beleza. Aquele monte de promessas feitas no furor das águas abençoadas por Iemanjá e regadas a enormes goles da mais gelada cerveja brasileira faz o sonho de todos nós. Seja parar de fumar (uma das promessas que não mais faço), trocar de emprego, trocar de carro, emagrecer, engordar, deixar as baladas de lado, comprar uma casa, estudar e assim por diante. Muitas delas vão passar ao largo nos próximos 365 dias e por mais que sejam planejadas, não serão executadas. Outras ainda, por questões de timidez no pedido, serão resolvidas nos primeiros meses, deixando o resto do ano para as coisas enfadonhas do dia a dia.

Então que tal aproveitar um pouco desta vontade de mudança que o ano novo encerra e tentar algo mais alto, mais distante, inclusive aproveitando o boom da procura de profissionais em várias áreas como PHP? Que tal dar uma cor diferente para sua vida e seu curriculum com uma experiência no exterior? Difícil? Impossível? Que nada, é só querer.

Senta que lá vem história
Acredito que este seja um dos meus últimos artigos escritos em solo brasileiro durante os próximos dois anos. Por uma fatalidade ou conjunções do destino, tive a grata satisfação de ser escolhido como um dos desenvolvedores brasileiros que trabalham numa pequena ilha da Ásia chamada Timor Leste criando softwares para o governo daquele país sob a batuta da ONU. Sem sombra de dúvidas uma responsabilidade e tanto com uma grande dose de coragem para deixar nosso “samba, suor e cerveja” por um bom período a fim de enfrentar tsunamis, terremotos e, quem sabe, alguns ciclones (lógico que dropar as ondas da Indonésia também faz parte do pacote).

Alguns vão dizer: “mas o cara é muito bom mesmo!”, ou ainda, com uma enorme dor-de-cotovelo, “sortudo, nasceu em berço de ouro”. Nenhum dos dois comentários é verídico. O que aconteceu realmente foi um conjunto de fatores que juntos me levaram onde estarei a partir do dia 15 de janeiro deste ano. Trabalhos anteriormente executados, bom curriculum técnico, conhecimento de idiomas e, para aqueles que acreditam, um pouco de toque divino fizeram com que alguns sonhos se realizassem em 2006 desaguando num ótimo ano novo.

No começo de 2006 resolvi que iria para a Austrália participar da Linux.conf.au, o terceiro maior evento de software livre do mundo. Na verdade esta participação era uma desculpa para ir à Austrália. Sempre tive fascínio pelo país dos cangurus e de Midnight Oil com seu rock “aborígene” e comecei a pesquisar quanto precisava de dinheiro, quanto tempo ficaria, visto e outros “poréns”. No meu inconsciente estava colocando uma meta para mim mesmo e teria que executá-la de alguma forma. Este foi o primeiro passo para a realização.

Logo depois, antes do término do primeiro semestre, uma formiguinha começou a cutucar: “por quê não passar uma temporada fora do país trabalhando, estudando, conhecendo novas culturas e viajando?” Bom demais não é? Claro, mas o problema é que sou pobre e nasci em família pé rapada. Então para realizar o desejo, teria que ser com minhas próprias mãos, muita conversa e claro, mostrar para que estava indo, caso contrário não colocaria o pé para fora da ala internacional de qualquer aeroporto do mundo. Então, com constantes sessões de urticária, ao planejamento de como fazer isso (agora vem a parte boa).

Antes de tudo, o que fazer?
Desculpe-me os mais afoitos e os mais crédulos mas uma empreitada deste porte começa com uma pergunta simples que precisa de uma resposta simples: “o que quero fazer?” A resposta deve ser a mais honesta possível para que depois não existam frustrações de nenhum tipo e a experiência não se torne uma cicatriz profunda.

Assim se a vontade é trabalhar para poder viajar pelo mundo colecionando carimbos no passaporte, você deve pensar em trabalhos freelance principalmente na Europa. Pagam melhor e aceitam este tipo de condição tranquilamente. Além disso, você terá pelo menos 40 países para visitar com passagens aéreas baratinhas e sem caos nos aeroportos. Mas se o desejo é estudar, melhorar ou aprender um novo idioma e fazer uma graninha, procure outras opções, digamos, mais sólidas de trabalho em países como Índia, Estados Unidos ou Alemanha. Normalmente os empregadores custeiam os estudos (parte ou no todo) e você pode, com algum esforço, conseguir guardar um pouco para comprar um carro quando voltar.

Respondida a pergunta (honestamente), vamos ao planejamento e execução.

O que é preciso?
Sem entrar na seção “empírica” ou “como fazer mala”, o que você precisa para estar lá fora resume-se naquilo que você tem hoje com uma lapidada e um toque de ousadia. Esqueça os grandes gurus do show business atual que pregam a necessidade de MBA, PH.d, PQP ou coisa similar. Não estamos procurando emprego no Google da Suíça ou na Novell dos Estados Unidos. Estamos falando de outra coisa totalmente diferente: uma oportunidade para você dar uma volta e sentir um pouco como funciona o “lado de lá”. Então, ficar “batendo ficha” com australianos, noruegueses, ingleses e canadenses por causa de uma posição como esta é líquido e certo que seu barco não passa do porto de Santos. Foque no que deseja realmente, no que faz muito bem e siga em frente. Se é um ótimo designer, deve mostrar isso. Se é um eficiente programador em Perl, negrite esta parte de seu curriculum. O diferencial não será seu MBA da faculdade “são-qualquer coisa” que tirou naquelas noites de birita, mas sim sua capacidade de fazer diferente o que todos fazem igual. Não convenci ainda? Pois observe os pré-requisitos desta vaga na Índia para compreender o que as empresas procuram realmente (exceto aquelas anacrônicas e almofadinhas).

Adicionalmente às suas qualificações técnicas será necessário saber inglês para ler documentação, responder e-mails, falar ao telefone e participar de reuniões. Isso se resume a 300 palavras (acredite!) e certamente duas semanas de caminhada em Londres são capazes de afiar muito o mais cego dos aprendizados de ensino médio. Também é necessário um portfólio, seja você um designer ou desenvolvedor. Se você é designer, já deve ter um. Se você é desenvolvedor, arrume um hosting qualquer e hospede os projetos que desenvolveu com usuários demos para que seus futuros empregadores possam conhecer o que você faz e do que é capaz. DOCUMENTE e mostre o código, isso dará confiança e também mostra que você não tem somente um papo legal.

Um ponto extremamente piegas para as empresas brasileiras mas que conta muito lá fora é sua vida pessoal e social. Mesmo as gigantes como Oracle e Google querem pessoas e não máquinas trabalhando. Mesmo parecendo estúpido, estes pontos derrubam muito nerd em boas oportunidades. Resumindo, se você gosta de cinema, assista filmes. Com certeza vão perguntar quais foram os últimos filmes que assistiu e você não poderá dizer que foi Rambo II pois se o fizer, a missão será sua de voltar para casa.

Documentos, sempre um problema
Da mesma forma que no Brasil, a maioria dos países possuem rígidas políticas de importação de mão-de-obra. Ou ela é qualificada e pouco encontrada no país, ou o cara é um gênio. Na maioria das vezes quando o empregador gosta de você e o deseja, ele faz todos os trâmites legais para sua estada no país. Entretanto, existem algumas excessões relacionadas ao tema:

  • Conhecimento de português – muitas vezes projetos necessitam profissionais que sabem português. Se encontrar uma vaga destas, certamente seu visto de trabalho está garantido (ou você acha que encontra-se um norueguês em cada esquina que fale português melhor que você?);
  • Conhecimentos de determinada tecnologia – programação de kernel, ferramentas específicas, applications server e outros “bichos estranhos” também podem garantir o visto de trabalho;
  • Dupla cidadania – se você vem de família européia, agradeça à seus ancestrais por isso. Aqueles que possuem dupla cidadania carregam junto um passe livre para quase a totalidade dos países do mundo, incluindo Estados Unidos, Canadá e Reino Unido;
  • Pequenos passeios – finalmente, uma opção não muito recomendada mas comumente usada principalmente na Europa é executar um trabalho por um período num país, viajar para outro, executar outro trabalho e assim por diante. Normalmente os empregadores fogem desta modalidade por problemas com a lei mas é possível encontrar algumas oportunidades principalmente em países do antigo bloco soviético (mas não recomendado, novamente frisando).

Se você não se encaixa em nenhuma destas opções e o empregador não consegue o visto de trabalho, somente saia de casa por sua conta e risco. Pode se dar bem? Sim, mas a probabilidade de “quebrar a cara” é alta.

Muito bem cara pálida, e agora?
Agora você junta coragem para enfrentar indiferença, exclusão e muitas vezes isolamento, variações de temperatura, comida, fuso horário e a saudade de casa, deixa seus documentos prontos (inclusive com a carteira de vacinação internacional) e procura oportunidades na web. Claro que atualizar o curriculum e versá-lo para inglês é obrigatório e não precisa ser lembrado (não é?). Feito isso, onde pode encontrar oportunidades interessantes:

  • Freelancers.net – um site inglês voltado para freelancers no Reino Unido. Tem a vantagem que somente empresas postam vagas, não aceitando agências ou agenciadores;
  • Freelance.com – uma rede de sites mundiais de trabalho freelance. Milhares de vagas onsite ou offsite para dezenas de países do mundo;
  • No Agencies Please – o próprio nome já diz, nada de agenciadores ou atravessadores. O negócio é direto com quem tem o trabalho e com que executa. Atende principalmente o Reino Unido e norte da Europa.
  • Caree India – Site voltado a empregos (não somente freelances) na Índia e alguns países próximos (Tailândia, Paquistão, etc);
  • ACTI – Portal das empresas de TI no Chile. Várias vagas para quem não quer ir muito longe de casa

Além destas opções, existem milhares de outros sites para a pesquisa. Uma pequena busca no Google pode retornar resultados para mais de uma semana de trabalho diante do micro.

Finalizando
O objetivo deste artigo não é incitar a fuga de cérebros para fora de nosso país e muito menos servir de mapa para o descobrimento das índias (literalmente inclusive). Seu objetivo é tentá-lo a descobrir um mundo novo e voltar para nossa terra com muito mais bagagem e conhecimento do que quando saiu. A maioria dos leitores somente chegará ao fim do artigo por mera curiosidade pois tem impecílios que o prendem aqui (os quais poderiam ser somente filhos e esposa). Outros irão descartá-lo pois não acreditam que seja possível algo de tal monta. Mas alguns irão enviar mensagens com perguntas sobre como levar adiante a vontade de colocar o pé na estrada. Àqueles que ficam, cabe a pergunta: temos como chegar a grandes objetivos se formos reféns da segurança e do conservadorismo? Creio que não.

Finalmente, se gostar da idéia, coloque-a em prática. Dificilmente irá se arrepender pois as experiências vividas, boas ou más, ficarão para sempre e poderá usá-la inclusive em seu curriculum no futuro. Pessoas com “visão de mundo” sempre são muito bem vindas em qualquer organização. De minha parte fica o convite para umas ondas na Ásia. Quem sabe não nos encontramos do lado de lá do planeta?

Os benefícios da educação na inclusão digital

Internet, Pessoal, Software Livreem 26/12/2006Sem Comentários

Meu capítulo na íntegra do livro Software Livre e Inclusão Digital editado pela Conrad Editora de São Paulo/SP

Está mais que provada a relação entre educação de uma nação e sua independência, seja esta política, tecnológica ou social. O bem-estar da população está intimamente ligado ao seu nível cultural, não dependendo da geografia do país, de sua cultura, religião, parque industrial ou forma de governo. Exemplos não faltam no mundo mas pouco cabe aqui desfilá-los. Isso não quer dizer que devemos esquecê-los. Devemos sim, usar este pensamento como forma de questionar o nosso sistema atual e o que podemos fazer por ele e com ele, tendo como finalidade a preparação de nosso povo para os grande desafios que estão sendo apresentados diariamente.

É sabido que as distâncias entre os rendimentos de profissionais com e sem educação são enormes. Para piorar este quadro, as profissões de base, aquelas fundadas em sua maioria no trabalho braçal, estão desaparecendo num ritmo frenético devido a automação de tarefas ou ainda pela busca de mão-de-obra mais barata em países como Tailândia, Índia, Sri-Lanka, etc. De forma contrária, profissões nascem a cada dia e centenas de milhares de vagas ficam sem ser preenchidas devido a falta de profissionais com aptidões para desempenhar estas novas funções, em sua maioria, relacionadas a tecnologia. Então o desemprego não é uma questão de oportunidade laboral, mas sim de capacitação profissional do indivíduo.

Assim, existem duas opções para nosso quadro político-educacional-econômico atual: ou tornamo-nos um país “educado”, que propicia a população o conhecimento tecnológico necessário a inclusão do cidadão na sociedade atual, ou iremos servir novamente, como já ocorrido, de proletários para outras nações.

Mesmo estando na constituição brasileira como um direito social, a educação em nosso país mantém a décadas a cultura de que é algo caro e pouco rentável. Este pensamento coligado a interesses externos que desejam manter a população sobre um cabresto de ignorância e alienação, faz com que tenhamos uma massa de analfabetos sociais. Indivíduos que desconhecem seus direitos, seus deveres, seus valores, que não se empregam e que não geram riquezas para a coletividade, para o país. Complementando, aqueles que possuem o privilégio de freqüentar a escola, são preparados com currículos arcaicos e deficientes, os quais pouco contribuem para que deixe de ser um analfabeto social e que possa enfrentar os novos desafios a serem apresentados nos anos vindouros.

A inclusão digital
Nunca se falou tanto sobre inclusão digital quanto agora. Também há muito não se fala da educação como fator determinante de mudanças como nos últimos anos. O tema começa a interessar todos e não exclusivamente educadores e profissionais ligados, de uma forma ou de outra, a educação. Acredita-se que este despertar acontece principalmente pela disponibilidade da informação, advinda da tecnologia e da facilidade de obtenção desta.

Quando se fala em inclusão digital imagina-se logo aqueles “sem teto” tecnológicos; pessoas que não dispõem de computadores em suas residências ou locais de trabalho. O correto a pensar sobre o tema são os cidadãos que estão às margens da revolução hoje apresentada, moldada em bits e informação. Pessoas que não possuem acesso seletivo ao conhecimento fartamente existente e disponível gratuitamente (ou quase) dentro da Internet e de outras mídias. Certo seria dizer que estas pessoas são “excluídos de seleção”.

Hoje existe uma quantidade imensurável de informação, seja esta útil ou não. Somos bombardeados todos os dias em todas as mídias possíveis com informações de todas as áreas do conhecimento. A cada dia, um novo planeta é descoberto, uma nova técnica agrícola, uma nova vacina, um novo ancestral. Guerras iniciam-se e terminam, rebeliões e revoluções acontecem, enfim, estamos ligados vinte e quatro horas por dia no que acontece a nossa volta.

Mas somente “estar ligado” é discutível. Precisamos criar uma seletividade tão grande quanto a massa de informação recebida senão nosso papel continuará ser de coadjuvante nos acontecimentos do planeta.

Este é um dos desafios da inclusão digital. Somente inserir o indivíduo no mar de informação é pouco diante dos desafios apresentados. É necessário, principalmente, prepará-lo para ser seletivo e ter possibilidade de tirar o melhor proveito possível daquilo que recebe. Isto demanda muito mais que um computador ou uma conexão com qualquer provedor de informações, seja este a Internet ou até mesmo a televisão. Demanda a mudança de paradigmas na educação hoje existente e oferecida a todos nós brasileiros.

Voltando ao tema trabalho, em um estudo apresentado pelo Ph.d David D. Thornburg intitulado “2020 visões para o futuro da educação”, comenta-se que na virada do século (já passado), 60% dos empregos existentes vão requerer habilidades dominadas por somente 20% da mão-de-obra existente. Este fenômeno existe devido as necessidades específicas de proficiência em tecnologia e principalmente porque a educação não está preparada para abraçar as novas cadeiras de conhecimento que nasceram nas últimas décadas, tão velozmente quanto a lei de Moore.

Um quadro por demais estarrecedor. De um lado o grande número de vagas a serem preenchidas sem sucesso e, de outro, uma grande massa de pessoas necessitadas que não podem se candidatar a estas vagas devido a falta de instrução para conduzir determinadas tarefas, em sua maioria, relacionadas aos bits.

Então a inclusão digital como apresentada é errônea? utópica? De forma nenhuma. É preciso pensar nas várias opções existentes, nos vários caminhos, com a finalidade de fornecer aos cidadãos aptidões que atendam novas necessidades, não somente de educação mas principalmente de trabalho.

O software livre como ferramenta de inclusão
Paralelamente ao nascimento da Internet, ocorreu o verdadeiro debute do software livre. Puristas podem questionar esta informação afirmando que as idéias iniciais nasceram em meados da década de 80 com a criação da FSF – Free Software Foundation, dirigida por Richard Stallman, um ativista da idéia do software livre em todo o mundo. Mas sem a existência da Internet imagina-se que este não seria tão conhecido com é hoje e não teria 1% da sua força atual, gerada principalmente pela criação do sistema operacional Linux.

Além de politicamente correto, pois permite seu uso e distribuição sem a necessidade de licença ou autorização, o software livre traz no bojo três interessantes características; a condição de instigar o conhecimento do indivíduo baseado na necessidade daquele que o usa de “pensar” e não somente “apertar”, a redução de custos em níveis baixíssimos, facilitando assim a adoção do mesmo em comunidades que nunca poderiam pensar em ter uma ferramenta de qualidade e finalmente, a mais interessante das características, o senso de comunidade propiciado. Aquilo que é desenvolvido isoladamente ou em grupo, deve ser distribuído à toda a comunidade para que esta possa aproveitar o conhecimento adquirido. Isto faz com que o cidadão sinta-se parte de um conjunto e não somente coadjuvante de uma grande peça regida por duas ou três empresas.

Todas estas características vem de encontro com as necessidades de nações como a nossa que conhecem a urgência da inclusão do cidadão na revolução digital, que possuem um senso forte de coletividade mas não dispõem de recursos abundantes.

A educação e o software livre
Sabendo-se que uma das poucas formas (ou a única) de crescimento real do cidadão é a educação, pode-se usar o software livre com um papel fundamental neste processo, propiciando vários facilitadores para que todos sejam incluídos no cenário educacional e profissional atual e futuro.

O grande desafio é saber usá-lo. Iniciativas devem existir por parte de todos com a finalidade principal de modificar as atuais grades curriculares, dando-as mecanismos flexíveis para a adoção de novas tecnologias como o software livre e suas disciplinas correlatas. Sem esta premissa, pouco se pode fazer para aproveitar todo o potencial dele e cairemos no status-quo da educação de uma geração de “apertadores de teclas”.

O software livre, por suas características, é muito mais que isso. Ele deve ser explorado a fim de apresentar como as coisas ocorrem e não somente como programar para que ocorram. Isto não é referido somente a questão técnica, mas também a questão social, onde cada um aprende a contribuir para o coletivo, mediante suas descobertas, seu aprendizado, seus erros, seus acertos. Forma-se profissionais com aptidões e também caráter.

Muitos queixam-se ou usam como argumento as dificuldades de aprendizado para a não-adoção do software livre. É o mesmo que usar como argumento uma pessoa não guiar no Reino Unido, pois a localização dos pedais e das mãos de direção são diferentes da nossa. Resumindo, um argumento casto e pouco válido para algo tão grandioso. Dificuldades existem para todos e em tudo. A real diferença é enfrentá-las e passar adiante. Até mesmo neste ponto o software livre leva vantagem: ensina que desafios existem para que possam ser superados.

O que pode ser feito
Existem várias ações que podem ser adotadas para a união coesa da educação com o software livre que proporcionem a todos o avanço esperado. Dentre elas, principalmente a mudança imediata nas formas de avaliar e aplicar conhecimentos de estudantes em todos os níveis e a colaboração de vários segmentos da sociedade, norteados a criar pensadores e não braçais.

O primeiro ponto é de suma importância para dar aos educadores condições de incluir novas disciplinas e conhecimentos nos atuais currículos. Precisa-se mudar o que existe internamente numa velocidade maior do apresentado externamente. Preparar o estudante de hoje para trabalhar com tecnologias ultrapassadas é jogar pela janela não somente recursos, mas um tempo precioso que poderia ser usado com outra finalidade. Como disse Jack Welch “se a taxa de mudanças dentro de uma instituição for menor do que a taxa das ocorridas fora da mesma, o fim está a vista”.

O segundo ponto contempla todos os níveis e áreas da sociedade. É preciso que prefeituras absorvam e reconheçam a necessidade de proporcionar o conhecimento à todos, que companhias telefônicas disponibilizem acesso à Internet e outros provedores de informação, que produtores de hardware forneçam equipamentos subsidiados e que a comunidade de software livre participe ativamente de todo o processo, auxiliando na implementação e disponibilização de conteúdo e conhecimento a todos que necessitarem.

Exemplo dessas ações são os denominados Telecentros de São Paulo/SP. Locais espalhados pela cidade, muitas vezes em regiões pobres, onde o cidadão comum tem contato com computadores conectados à Internet e baseados em software livre, que podem ser usados para a obtenção de informação e conhecimento, sendo ciceroneado por pessoas ou monitores que explicam e auxiliam em todos os passos. De longe é um projeto faraônico ou engessado. Conta com a dinâmica do software livre, com o apoio irrestrito da prefeitura e com o interesse despertado nos usuários para ir adiante em suas descobertas.

Também deve-se destacar outra iniciativa. A Rede Escolar Livre, do governo do Rio Grande do Sul. Baseada totalmente em software livre, ela permite que estudantes, educadores, professores, funcionários e todos aqueles ligados a educação tenham acesso ao mundo da tecnologia e da informação digital, em qualquer parte, a qualquer tempo. Como exemplo de integração de vários segmentos, esta iniciativa conta com o apoio da companhia telefônica estadual que fornece canais de conexão para as escolas e várias empresas do segmento de hardware que doaram equipamentos para que o projeto fosse levado adiante.

Além destas, espalham-se por todo o país, iniciativas educacionais de utilização do software livre como ferramenta principal para oferecer conhecimento a centenas de pessoas. Faculdades, colégios de ensino médio e básico, prefeituras, ONG’s e outras empresas e instituições aprovam e utilizam-o nas mais diversas aplicações, oferecendo assim o conhecimento necessário hoje para a inclusão digital do indivíduo amanhã.

Conclusões
Lembrando-me de um adesivo no carro de minha mãe (professora) que dizia: “sem professor o país pára”, vou mais além. Sem educação atualizada e voltada a revolução da informação e do conhecimento, a sociedade e todo nosso país para. Não somente de professores e alunos se faz a educação, mas também de métodos e aproveitamento de oportunidades. Nunca em toda nossa existência foi tão fácil obter informação. Em contrapartida, nunca foi tão difícil fazer com que milhares de pessoas compartilhem a informação e os dividendos dela. É preciso rapidamente aproveitar o desejo de mudanças de nosso povo para educarmos a todos em tecnologia. Desta forma poderemos dar as gerações futuras condições de reconhecerem aquilo que é bom e aquilo que não é para si mesmos e formas de participar na sociedade, não somente como um gerador de impostos, mas principalmente como um crítico construtivo de nosso país. Para isso, o software livre é, sem sombra de dúvidas, a pavimentação da estrada que nos levará a atingir este objetivo muito em breve.

Oportunidade de estágio?

Internet, Pessoalem 17/11/2006Sem Comentários

Sim, é uma interrogação para levantar a questão sobre o que é um estagiário e o que não é.

Recebi em uma lista que assino há alguns dias a seguinte mensagem:

Oportunidade de Estágio

Intituição seleciona estudante para estágio de programação com efetivação prevista:

Requisitos Mínimos: Sólidos conhecimentos em lógica de programação, PHP, SQL, DHTML (HTML+CSS+JavaScript)
Requisitos Desejáveis: Orientação a Objetos, Linux, FreeBSD e Java (NetBeans)

São requisitos indispensáveis: Responsabilidade, saber trabalhar em equipe, cordialidade, capacidade de organização, pró-ativo, aplicado na busca de soluções para os problemas de desenvolvimento.

Atuação em manutenção e desenvolvimento de sistema legado e criação de novos.

Bolsa Auxílio: de R$500,00 nos primeiros 6 meses, com previsão de reajuste + vale transporte.
Estágio previsto: 1 ano.

Diante desta mensagem, venho minha curiosidade: como pode um estagiário ter “sólidos conhecimentos” nestas áreas se ele é um estagiário?

Pelo “pai dos burros” estagiário é aquele que faz estágio, o que nos remete ao verbete estágio que diz entre suas definições:

  • Situação transitória, de preparação.
  • Aprendizado de especialização que alguém faz numa repartição ou em qualquer organização, pública ou particular.

Assim sendo, se é de preparação e/óu especialização, como pode ter sólidos conhecimentos?

Resultado: cuidado com as vagas de emprego que encontra por ai. Quem sabe não querem pagar o salário de estágiário (que não é salário, mas sim bolsa) para um expert?

De volta ao começo

Internet, Software Livreem 03/10/2006Sem Comentários

Se Lula já dizia pouco sobre software livre em seu programa de governo, o candidato tucano arrasa de vez com as iniciativas existentes, abre as portas para a indústria multinacional e se torna xerife das grandes corporações em nosso país. Baseado no discurso de legalidade, o ex-governador é a síntese de tudo aquilo que vai contra o capital financeiro e a favor da liberdade do conhecimento.

Lula fez pouco. Em seus quatro anos a frente da nação, seu programa para Tecnologia da Informação em nosso país ficou aquém do esperado tanto pelas empresas do setor quanto pelos usuários. Inclusão digital, certificação, FUST, TV digital e outros assuntos foram muitas vezes tratados de forma ambígua ou como bandeira de luta entre facções dentro do próprio governo. Mas é inegável que existiram avanços. A certificação digital e todas as áreas ligadas avançou, alguns projetos de inclusão digital apareceram pelas mãos do ITI, Banco do Brasil, CEF e outros órgãos e algumas mudanças no setor corporativo começaram a caminhar.

No tocante ao software livre, também foram vistos avanços, pequenos mas aconteceram. Repartições públicas começaram suas migrações alavancadas pela comunidade que, de uma forma ou de outra, suportou tecnicamente as investidas do poder público neste segmento tão agarrado ao modelo de software proprietário. Isto levou à governos estaduais e prefeituras de todo o país um novo modelo de gestão e trato dos assuntos relacionados com a tecnologia de forma que antes não seria possível.

Na mesma linha, a inclusão digital teve seus passos dados sobre a plataforma livre. Projetos de inclusão do Instituto de Tecnologia da Informação, MEC, BB, CEF e outros pipocaram pelas cinco regiões levando com o apoio nem sempre funcional do Gesac, conhecimento, educação e a oportunidade de inserção dos usuários destas comunidades na grande rede e também na sociedade tecnológica dos dias de hoje.

Mas e daqui adiante? O que pode esperar esta crescente comunidade do próximo presidente? De um lado a promessa de manutenção do que já existe com melhorias e, de outro, a visível adoção do discurso americanizado pregando a liberdade vigiada, preferencialmente por licenças, copyrights e DRM’s.

Disponível hoje na mídia nacional, o programa de governo do candidato tucano sutilmente apresenta um discurso voltado às grandes indústrias e lobbies de segmentos importantes da tecnologia principalmente a indústria de software e empresas de telecomunicações. Nele, promete a caça às bruxas por meio do aperfeiçoamento da legislação e punição dos piratas, além da redução de arrecadação visando o bem-estar de empresas norte-americanas e européias quando do envio de royalties ao exterior.

A necessidade de aperfeiçoamento destas leis não é senão o principal interesse norte-americano, permitindo inclusive, como na América, ser a liberdade vigiada pelos mais diversos meios tecnológicos. Na verdade nossa legislação relacionada a direitos autorais é funcional em sua grande parte, sendo necessária a efetiva aplicação da mesma e claro, modificações no tocante aos novos e modernos assuntos sem usar terminologia arcaica como “telemática”, dinamizando as leis para que atendam à todos e não somente à alguns. Mas a intenção não é esta. É colocar dentro do mesmo balaio a punição dos piratas atendendo aos desejos e pressões da indústria, principalmente de entretenimento norte-americana junto com a flexibilização de nossas leis, permitindo que desmandes como os apresentados nas culturas do norte possam aqui ser aplicados.

Prova cabal que o programa é voltado à esta indústria está no ponto onde a redução de impostos para o envio de royaties ao exterior é comentado. Ora, quem são os beneficiários desta ação? Somente a indústria deles pois nós brasileiros que produzimos softwares, não enviamos royalties para ninguém. Então, qual a vantagem para nós? Somente a aquisição de produtos como Windows com preços módicos e mais um sangramento do estado para o benefício das grandes corporações.

Na mesma linha de ambiguidades, o programa de governo cita a redução de impostos da telefonia e também o projeto de levar banda larga para todos os municípios brasileiros. No mínimo uma piada de mau gosto. Reduz-se impostos para o benefício das companhias (que já possuem lucros absurdos) e, ao mesmo tempo, sinaliza com uma obra faraônica digna de um Maluf dos anos 2000: uma infovia de cabos e antenas de satélite que levariam 15 anos para ser construída (se fosse construída), retornando todo o FUST para as companhias telefônicas estrangeiras. Não sou contra a idéia, mas sim contra sua inviabilidade e principalmente contra o discurso populista que se apresenta. Ou alguém acredita que a Brasil Telecom vai levar banda larga para Lucialva, no Mato Grosso com 100% de funcionamento?).

Claro que nestes planos ambiciosos, atitudes mais simples e eficientes como a redução de impostos para a micro e pequena indústria nacional de software foi polidamente esquecida. Infelizmente os pequenos, mesmo sendo mais de 60% do PIB, não são 60% dos votos e tampouco 60% da arrecadação necessária para a campanha, financiada pelos grandes conglomerados que desejam a todo o custo um governo que seja mais flexível com questões de seus impostos e mais duro quando o assunto for seus produtos.

Finalmente o software livre passa anos-luz de seu projeto de governo, lição sabiamente aprendida com seu colega de partido e governador eleito de São Paulo, José Serra que dizimou o projeto Telecentros dentro da cidade. Em sua rápida gestão, foi promovida uma verdadeira revolução na troca de Linux para o rico e financiador Windows, sinalizando assim que muito novamente irá mudar numa possível gestão federal: upgrade para Windows Vista.

Não me admira tal projeto de governo. Bem escrito, sem ataques diretos mas com entrelinhas negritadas dizendo àqueles que interessam o que realmente será feito. Infelizmente mais uma vez estas linhas não são para a comunidade de software livre nacional e tampouco para os pequenos que almejam uma política de TI correta para nosso país.

Pior do que está, pode ficar. É só votar.

Ajude a escrever um livro

Desenvolvimento, Pessoalem 27/09/2006Sem Comentários

Quer participar da criação de um livro? Então colabore enviando sua dúvida ou pergunta para o autor para que seja compilada dentro da obra. O lançamento é previsto para dezembro deste ano.

Escrever um livro não é tarefa fácil pois mesmo querendo o autor por mais que tenha conhecimento sobre o tema, acaba deixando algo para trás seja por falta de espaço ou ainda porque sua visão não atende a todos os leitores da obra.

Então tentando minimizar um pouco deste problema para os futuros leitores e claro, aproveitando para obter a colaboração da comunidade a fim de criar uma obra útil e interessante para quem irá usar, resolvi convidá-los a fazer parte da obra Eu não sei PHP, voltada exclusivamente para aquele leitor que ainda não é usuário da linguagem PHP mas que tem um imenso interesse em dar os primeiros passos rumo à este mundo maravilhoso da programação.

A contribuição é voluntária e feita mediante o envio de correio eletrônico (e-mail) para o endereço paulino@michelazzo.com.br com as dúvidas ou perguntas que estejam dentro do escopo e público-alvo do livro, ou seja, perguntas simples e objetivas como “o que é PHP”, “o que é uma função”, “como crio um arquivo PHP”, “qual a diferença entre uma constante e uma variável” e assim por diante.

Todas as perguntas serão analisadas e aquelas que forem interessantes, serão tratadas dentro da obra. Infelizmente não existe pagamento pelo envio da mensagem mas é claro que os agradecimentos serão dados à todos aqueles que colaborarem e certamente minha eterna gratidão para a criação de uma obra que seja de real interesse para o leitor.

Somente um detalhe; a maior parte do livro já está pronta. Assim, as perguntas somente serão aproveitadas dia 20 de outubro. As que vierem depois desta data, poderão entrar em uma nova edição da mesma obra.

Interessado? Então envie sua dúvida ou pergunta para paulino@michelazzo.com.br e ajude a fazer mais uma obra interessante sobre um programa livre.

Sabe o que tem de novo?

Internet não elege, mas ajuda

Meus comentários sobre as campanhas digitais (publicado na revista IT Digital).

Instalando o Drupal 6

Nova versão do tutorial para instalação do CMS Drupal.

Livro Joomla! 1.5 Site Blueprints

Leia meu review sobre o mais novo lançamento da Packt Publish.