Seu disco rídigo do iMac morreu ou está agonizante a beira da morte? Veja aqui como trocá-lo sem estragar o computador.
Em 2007 virei fã de carteirinha das máquinas da Apple. Estava em Timor Leste e já que tinha mudado a vida completamente, resolvi também mudar de plataforma de hardware, o que até hoje não me arrependo.
No meu retorno ao Brasil em 2008, trouxe um iMac 20” comprado em Cingapura para fazer par com o MacBook que tinha na época (e depois surrupiado num encontro com representantes das camadas menos favorecidas da sociedade). De lá para cá a máquina nunca tinha dado problema e sempre funcionou 100%, até a virada do ano (presente de natal atrasad0?) quando o disco rígido resolveu parar de funcionar. Neste momento, depois de lembrar por alguns minutos do que tinha perdido no mesmo (músicas somente) chegam os calafrios: como trocar este disco? Mandar para uma assistência técnica era demais para mim pois o custo exorbitante e a estupidez do serviço não me deixavam fazê-lo. Desta forma, resolvi eu mesmo botar em prática novamente o aprendizado obtido em mais de 20 anos na informática para realizar o feito que, diga-se de passagem, não é como num computador PC que somente abre-se o gabinete, tiram-se dois conectores, soltam-se quatro parafusos e pronto, tudo resolvido. Aqui o buraco é mais embaixo, bem mais embaixo.
O desafio
Para dar conta do desafio, algumas coisas eram necessárias. A primeira delas, claro, o manual de serviço da máquina. Sem ele, não é possível nem começar a abrir a máquina pois a perfeição do hardware advém dos detalhes de design da mesma e por isso, tudo é pensando, inclusive o tamanho dos parafusos e a sequência correta de tirá-los para qualquer coisa. O problema é que este manual não vem com a máquina, mas sim é vendido/dado/sei lá o quê para as assistências técnicas da Apple. Então tinha somente 3 opções: a) levar para a assitência técnica, b) furtar o manual de uma assistência e c) ir para o “shopping” Internet. Delas, a última foi a escolhida (por motivos óbvios).
Já tinha visto este manual (e de outras máquinas) na Internet e voltei a caça dos mesmos. Encontrei em um site russo uma coleção que beira 1Gb e contém os manuais de quase todas as máquinas da Apple entre 2006 e 2009, inclusive da minha que fiz o download para a leitura cuidadosa. O manual, ao contrário de que muitos pensam, é completíssimo em todos os sentidos: fotos, diagramas, how-to’s, passo-a-passo e assim por diante. Com ele certamente não seria difícil a tarefa mas existia outro problema: as ferramentas.
Toolbox

Ventosas de remoção da tela
Para a operação na máquina precisava de algumas ferramentas. Algumas simples como chave Philips, pincel e panos e outras não tão simples como ventosas para tirar a tela e também chaves Torx para a remoção dos parafusos internos. As ventosas já tinha comprando um ano antes num site de leilão com o objetivo de limpar a tela que fica a frente do monitor. Por ser plástica, não é possível passar produtos como álcool nela pois a mancha é certa.
As chaves Torx não é algo comum em nosso mercado. Já tinha visto alguns parafusos com este tipo de cabeça mas nunca me deparado com a necessidade de removê-los. Como não tinha estas chaves, fiz uma “visita” a Rua Santa Ifigênia para adquirir um kit com 7 chaves nos tamanhos que precisava (T08 e T06) pela bagatela de R$ 20,00.
Reunidas as ferramentas, bastava comprar um novo disco para a máquina; mas… qual?
O Disco Rígido
Este foi uma novela. Primeiramente pensei que os discos rígidos usados em máquinas Apple eram aqueles somente encontrados na terra de Lost ou ainda dentro das instalações do Pentágono. Ledo engano; a Apple também utiliza peças comuns em suas máquinas. Isso descobri depois de perguntas no fórum da Apple e também em buscas na Internet. Depois foi fácil: encomendei um disco Western Digital na loja Mania Virtual de 500Gb (modelo WD5000AADS) com 32 Mb de cache e 7200RPM. Sobre o disco, duas considerações:

Uma chave Torx
Não compro mais no Mercado Livre pois o que tem de gente burra no site de leilões é impressionante. Tente adquirir várias vezes um disco rígido e ninguém sabia informar o tamanho do mesmo (precisava de um 3.5”). Além disso, o preço não valia a pena (paguei R$ 161,00 com nota fiscal e garantia). Então, tente o site Bondfaro ou Buscapé para pesquisar os preços.
Você pode estar perguntando: já que vai trocar, porque não comprar um maior, por exemplo, de 2Tb? A resposta é simples: não tenho onde fazer backup.
Na época do ocorrido tinha um disco de backup externo de somente 320Gb e o disco da máquina era de 500Gb. O resultado: não cabia no backup todo o disco da máquina e quando ele parou, perdi ao menos 100Gb de dados (as músicas!). Assim aprendi que não adianta ter um disco de 2Tb na máquina se o espaço para backup é de 100Gb. Certamente quando parar, você irá perder 1.9Tb de dados. Hoje tenho um disco de 500Gb só para backups semanais e o outro de 320Gb para backups realizados a cada 3 horas (como o que está acontecendo neste momento).
Obtido o disco (entregue em 1 dia e meio útil), vamos à operação.
Operando o iMac
Reservei uma manhã calma para fazer a operação na máquina. Comecei forrando a mesa com um lençol (preferencialmente claro para ver os parafusos que por ventura caiam) e deitei o micro com o monitor para cima. Removi a tampa da área de memórias e depois, com a ajuda das ventosas, a tela de plástico que fica na frente do monitor. Seguindo o manual de serviços, removi o chassi frontal, a conexão da câmera, do infra-vermelho (que descobri ficar atrás do símbolo da maçã existente na frente da máquina) e também o microfone. Quando esta parte saiu, começa o desespero: o que tinha de pó dentro da máquina e nas duas ventoinhas era algo absurdo. Então munido do pincel e também de um micro-aspirador (pode ser o grande também), comecei a limpar o máximo possível do pó aproveitando que ela estava aberta e também para enxergar partes que não estavam tão visíveis.

A remoção da tela
Após a remoção desta parte, precisava tirar o display LCD para chegar ao disco. Com as chaves Torx, soltei quase uma dezena de parafusos tomando o cuidado de colocá-los em uma pequena caixa plástica para não perdê-los. Este processo é um dos mais delicados de toda a operação. A chave pode escapar de sua mão e riscar o LCD, você pode quebrá-lo ao tirar da máquina ou ainda esquecer algum dos fios conectados à ela ligados e num puxão, colocar tudo a perder. Cuidado e paciência são as dicas.
Outra dica: nunca, mas NUNCA puxe qualquer fio. Sempre solte as conexões segurando pelo conector. Existem alguns fios (como o da câmera e do sensor de temperatura do disco) que são muito finos e qualquer excesso de força pode quebrá-los. Cuidado (depois não diga que não avisei).
Retirado o display, coloquei-o dentro de uma embalagem anti-estática que tinha em casa (igual aqueles sacos de placas-mãe). Esta embalagem, além de não permitir que eletricidade estática ferre seu display, também não permite sujeira sobre a tela. Se você não tiver uma, arrume um saco plástico grande para guardar provisóriamente o LCD e nunca (NUNCA!) invente de limpá-lo com qualquer coisa que seja. Vai estragar!
CUIDADO: existe um conector que precisa ser solto na parte inferior da máquina, próximo a base do display ANTES de removê-lo. Este conector é problemático pois a cabeça do parafuso é bem pequena. Cuidado com ele!
Com o display fora, chego onde desejava: o disco morto. Sobre ele existe um termosensor colado com dois fios. Este sensor tem que ser removido COM OS FIOS para depois ser colocado sobre o novo disco. Esta operação é meio neanderthal, ou seja, na força mesmo (não muita!). Depois de removido, basta seguir as indicações do manual para a remoção do disco e a troca pelo novo.
Costurando o iMac
Com o novo disco no lugar, começa a parte de fechar o iMac. Infelizmente não era possível testar antes de fechar (não se deve deixar o cabo de energia conectado ao computador) e por isso tinha que acreditar nos anos de prática e de aprendizado de eletrônica. O primeiro desafio era onde enfiar o termosensor. No disco antigo existia um rebaixamento em sua carcaça que era quase um ninho para o sensor. Já no disco novo, nada de ninho, só uma superfície cheia de sulcos. Arrumei um espaço entre um sulco e outro e lá coloquei o sensor já que não existia outro local. Este procedimento parece ter dado certo pois até agora nem o disco, nem a máquina reclamaram.

Pó que não acaba mais
Aproveitei que as entranhas da máquina ainda estavam expostas e dei uma boa limpada em tudo com o pincel e o micro-aspirador. Novamente, muito pó saiu de dentro, principalmente nas áreas próximas as ventoinhas (são duas).
Retornei o LCD para sua posição, reconectei os plugues (são dois que podem ser ligados em qualquer sequência) e comecei a apertar os parafusos tomando cuidado para fazê-lo em forma de “X”, ou seja, aperta-se o do canto inferior esquerdo, depois no canto superior direito e assim por diante. Estes parafusos NÃO DEVEM ser apertados até sair sangue. Eles seguram o LCD e não um guindaste. Tome cuidado pois se a mão for forte, é capaz de rachá-lo ou ainda o gabiente.
Reconectei a câmera, o microfone, o infra-vermelho e fechei o gabinete rezado para não ter cometido nenhum equívoco e tampouco esquecido algo. Coloquei novamente a tela plástica e a tampa das memórias e a máquina em pé para seu primeiro boot com o disco novo.
Sucesso
Depois de todos os procedimentos e verificar se não tinha esquecido nenhum parafuso para fora, conectei a energia, rezei um pai-nosso e um ave-maria e liguei a máquina. Alguns segundos depois… lá estava o prompt dizendo que não existia sistema no disco. Bastou a inserção do DVD na máquina e o processo de instalação do SO no novo disco começou e finalizou perfeitamente.
O resumo da operação então é: R$ 200,00 reais de gasto (disco + chaves + metrô), uma hora de trabalho na montagem/desmontagem, um disco mais rápido e com mais cache e 100Gb de músicas abduzidas.
Finalizando

O HD antigo vira calço de porta
Máquinas Mac não são um bicho de sete cabeças quando precisam de manutenção. Basta um pouco de conhecimento, as ferramentas corretas e o manual de serviço. O restante assemelha-se a manutenção de um computador PC, salvo a delicadeza das peças e também da paciência necessária para desmontar o quebra-cabeças interno. Não recorrer a uma assistência técnica é indicado? Definitivamente não. Se você não tem intimidade com hardware, não reconhece partes do mesmo, não lê inglês (os manuais somente estão neste idioma) e tampouco tem familiaridade com chaves e outras ferramentas, não invente moda e mande sua máquina para a assistênca. Ao contrário, se você possui esta queda por consertar coisas, a manutenção de um Mac pode ser algo muito interessante, divertido e diferente.
Boa sorte!
PS: este texto não substitui o manual de serviços, mas sim é um conjunto de dicas e um relato do que foi realizado. Se você não tem o manual, NÃO USE este texto para trocar o disco defeituoso de sua máquina. Certamente não irá conseguir.
Douglas Soares de Andrade
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Opa,
Parabens Paulinão ! Ficou massa mesmo, e convenhamos, que cirurgia. Pelo menos vc pode dizer que ressucitou um Mac =)
Sucesso, fio =)
Moacyr B.
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Paulino, primeiro parabéns pelo tutorial, muito mais esclarecedor do que qualquer site da Apple, acredito q vc deve ter recebido uma série de e-mails pedindo isso, se não for trabalho, vc poderia mandar o link do site onde encontrou os manuais de serviço, dei uma busca mas todos q achei estão com os links quebrados ou são de máquinas muito antigas.
Abs
Moacyr B.
Paulino Michelazzo
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Não conte para ninguém hein
http://nnm.ru/blogs/uksused/apple_service_source_manuals_/